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De hidrelétricas a sorvetes, chineses ampliam investimentos no Brasil.

Guarulhos

Publicada em 13/04/2026 às 10:43h - 30 visualizações Jovem Pan News

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De hidrelétricas a sorvetes, chineses ampliam investimentos no Brasil.
Reproduçao/Tv Gru Web  (Foto: Divulgação/BYD)

Muitas empresas chinesas estão agora cortejando os mais de 200 milhões de consumidores do país.

Para a rede chinesa de sorvetes e bebidas Mixueque já tem mais lojas do que Starbucks e McDonald’s, um mascote do alegre boneco de neve na avenida mais famosa de São Paulo sinaliza uma nova fase de sua expansão global.

A primeira unidade brasileira da Mixue 2097.HK, inaugurada no sábado, marca a chegada da empresa à América do Sul em meio a uma nova onda de investimentos chineses, construídos a partir de laços econômicos que já tiraram dos Estados Unidos a posição de principal parceiro comercial do continente.

Mas, diferentemente de ondas anteriores de recursos que a China direcionou ao Brasil, concentradas em grandes projetos de hidrelétricas e petróleo, muitas empresas chinesas estão agora cortejando os mais de 200 milhões de consumidores do país.

O foco na expansão para mercados internacionais ocorre à medida em que a China enfrenta barreiras comerciais crescentes nos Estados Unidos, o principal consumidor de suas exportações mundiais.

O investimento direto chinês dobrou para US$4,2 bilhões em 2024 em 39 projetos no Brasil, fazendo do país o terceiro maior receptor de investimentos chineses no mundo, de acordo com os últimos dados disponíveis do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).

Além disso, a Mixue planeja investir cerca de R$3 bilhões nos próximos anos no país, onde vai vender limonadas, chás de jasmim e sorvetes.

A Mixue pretende abrir entre 500 e 1.000 lojas no país até 2030, incluindo franqueados, disse o CEO da Mixue Brasil, Tian Zezhong.

A cadeia de fast-food se junta a empresas chinesas que vão de aplicativos de entrega e fabricantes de veículos elétricos a produtores de eletrônicos que apostam em consumidores brasileiros cada vez mais receptivos às marcas chinesas consideradas competitivas em termos de preço e qualidade.

“A partir do momento em que você começa a consumir produtos da China, é muito difícil voltar a consumir os outros, justamente pelo custo- benefício, pela qualidade e por serem produtos diferenciados em termos de beleza e de entrega”, disse Bianca Gunes, de 30 anos, passeando em frente à nova loja brasileira da Mixue no Shopping Cidade São Paulo.

Tecnologia de ponta

A fabricante chinesa de eletrônicos Huawei está situada em um local privilegiado na entrada do mesmo shopping. Depois de quase três décadas no país, a Huawei abriu sua primeira loja em São Paulo no ano passado, reconhecendo a demanda dos brasileiros por experiências de compras presenciais, disse o gerente de relações públicas do negócio de consumo da empresa no Brasil, Diego Marcel.

“O brasileiro gosta muito da tecnologia. Ele gosta, mas ele também é muito exigente”, disse Ricardo Bastos, diretor de assuntos institucionais da montadora chinesa GWM, que abriu sua primeira planta na América do Sul em São Paulo no ano passado.

Tanto a GWM quanto a concorrente chinesa BYD adquiriram fábricas brasileiras de rivais ocidentais nos últimos anos e estão reequipando-as para a produção de veículos elétricos e híbridos.

A planta da GWM em uma antiga fábrica da Mercedes-Benz deve receber R$10 bilhões em investimentos ao longo de uma década.

Executivos dizem que as relações entre Brasil e China estão se beneficiando ao mesmo tempo de uma freada e de um estímulo. Tensões geopolíticas afastaram investimentos chineses dos Estados Unidos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogia as relações com a China em um nível histórico.

“O presidente (Lula) convenceu nosso CEO de que o Brasil estaria aberto ao nosso investimento”, disse o vice-presidente sênior da BYD, Alexandre Baldy, em entrevista à Reuters em fevereiro. “A partir daí, é claro, a empresa, sendo uma empresa privada e de capital aberto, deslanchou pela sua capacidade de realização”.

O governo brasileiro também está procurando importar avanços na área da saúde, onde a China mostrou novas aplicações para a inteligência artificial. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse à Reuters que ele foi a Xangai, Shenzhen e Chengdu no mês passado em busca de possíveis parcerias, investimentos e transferências de tecnologia.

Em outra frente, a recém-chegada ao país Meituan 3690.HK está apostando que pode agitar o mercado de entrega de refeições já bastante ocupado no Brasil. A empresa pretende investir US$1 bilhão até 2030 para desafiar um campo que inclui o parceiro da Amazon, Rappi, e o iFood, de propriedade da empresa holandesa Prosus.

*Estadão Conteúdo




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