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Comitê barra participação de atletas trans em categorias femininas nas Olimpíadas.

Guarulhos

Publicada em 27/03/2026 às 05:07h - 58 visualizações Jovem Pan News

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Comitê barra participação de atletas trans em categorias femininas nas Olimpíadas.
Reproduçao/Tv Gru Web  (Foto: EFE/EPA/TIBOR ILLYES)

A admissão nas disputas “‘está agora reservada a pessoas do sexo biológico feminino’, diz o comunicado do comitê.

Quase 30 anos após ter abandonado os testes genéticos de feminilidade, o Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou nesta quinta-feira (26) que retomará a prática a partir dos Jogos Olímpicos de 2028 — uma medida que exclui atletas transgênero e um grande segmento de atletas intersexo dos esportes femininos.

admissão nas competições femininas “está agora reservada a pessoas do sexo biológico feminino”, que não sejam portadoras do gene SRY, explicou o COI em comunicado, após reunião de seu comitê executivo.

entidade revoga assim as regras estabelecidas em 2021, que permitiam a cada federação definir sua própria política, e passa a excluir tanto atletas transgênero quanto grande parte das atletas intersexo, que apresentam variações genéticas naturais e foram consideradas meninas desde o nascimento.

Aqueles que conseguirem demonstrar sua “insensibilidade total aos andrógenos” — isto é, a incapacidade de seus corpos de utilizar a testosterona — poderão ser isentos desta nova medida; um exame que exige investigações complexas e caras.

Essa nova política, a primeira grande medida da presidente zimbabuense Kirsty Coventry desde sua eleição há um ano à frente do COI, será aplicada a partir dos Jogos de 2028 e “não é retroativa”.

Dessa forma, não fica em risco a medalha de ouro conquistada nos Jogos de Paris pela boxeadora argelina Imane Khelif, que reconheceu ser portadora do gene SRY, embora tenha nascido como menina e tenha defendido sua identidade feminina diante de questionamentos.

COI se une à visão de Trump

responsabilidade pela realização dos testes caberá às federações internacionais e às instituições esportivas nacionais. Os exames serão feitos por meio de saliva, raspado bucal ou amostra de sangue e deverão ser realizados “uma única vez na vida do atleta”, informou o COI.

A medida já está em vigor desde o ano passado em três modalidades: atletismo, boxe e esqui, embora sua aplicação enfrente dificuldades práticas e legais.

O COI já havia adotado testes cromossômicos de verificação de sexo entre 1968 e os Jogos Olímpicos de Atlanta-1996, antes de abandoná-los em 1999 sob pressão da comunidade científica, que questionava sua validade, e de sua própria comissão de atletas.

Embora Kirsty Coventry ainda não tenha se reunido com Donald Trump — anfitrião dos Jogos Olímpicos de 2028 —, essa política elimina a principal questão que poderia ter desencadeado um conflito com o presidente americano.

Desde o início de seu segundo mandato, Trump excluiu por decreto atletas transgênero dos esportes femininos — uma medida que contrariava as regras do COI vigentes na época.

Embora se espere que a medida seja aplaudida em Washington, as vozes contrárias ao restabelecimento de tais testes multiplicaram-se nos últimos meses, partindo de cientistas, pesquisadores das Nações Unidas, especialistas jurídicos e organizações de direitos humanos.

“Um anacronismo desastroso”

No início de março, um editorial no British Journal of Sports Medicine insurgiu-se contra um “anacronismo desastroso“, destacando que ainda não existem “dados científicos de qualidade referentes a uma potencial vantagem no desempenho atlético” de indivíduos intersexo portadores do gene SRY.

Expressando preocupação com a “opacidade” do trabalho realizado pelo COI, oito especialistas das Nações Unidas opinaram que a “incerteza científica” exige a adoção de medidas “fundamentadas em evidências sólidas e específicas de cada modalidade esportiva”.

Do ponto de vista legal, 22 juristas de diversas partes do mundo fizeram um apelo na quarta-feira para que atletas e instituições nacionais rejeitem os testes genéticos — exames que, em sua visão, violam leis nacionais e internacionais relativas à não discriminação, à bioética e à proteção da vida privada.

Coventry — que, em março de 2025, tornou-se a primeira mulher e a primeira pessoa de origem africana a assumir a presidência do COI — tomou posse impulsionada por esperanças de renovação e suas decisões iniciais têm sido orientadas para o futuro dos Jogos Olímpicos e seu modelo econômico.

No que tange ao esporte feminino, o único tema abordado ao longo do último ano foram as regras de elegibilidade — um foco que “desvia a atenção das questões reais, tais como o financiamento desigual, o acesso à prática esportiva, a disparidade salarial de gênero e a violência”, lamentou na semana passada Andrea Florence, da Sport and Rights Alliance.

*AFP 




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